domingo, 5 de janeiro de 2014

Curso de Capacitação - Atenção Integral à Saúde Materna - Planejamento Familiar

O Curso de Especialização em Saúde da Família (CESF) é uma iniciativa do Ministério da Saúde que criou, em 2008, a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS). Trata-se, portanto, de um programa que estabelece condições para o funcionamento de rede colaborativa de instituições acadêmicas, serviços de saúde e gestão do SUS para atender às necessidades de formação e educação permanente no âmbito da Saúde Coletiva e Atenção Básica nos municípios brasileiros. O CESF, tem 450h, terá duração de 12 meses e conta com 3 momentos presenciais obrigatórios e avaliativos. O título de especialista será obtido após o cumprimento de todos os créditos e apresentação de trabalho de conclusão de curso (TCC). O objetivo geral da especialização é que o aluno, uma vez inserido no serviço de saúde, possa reavaliar suas práticas de trabalho, interagindo com os demais profissionais e propondo estratégias resolutivas para os problemas enfrentados no dia-a-dia de seu trabalho.
Público-alvo: Médicos participantes do Programa Mais Médicos.

EixosMódulosDescrição dos MódulosCarga horária
Eixo 1120h1Introdução ao Curso de Especialização em Saúde da Família - Modalidade a Distância e ao Ambiente Virtual de Aprendizagem30h
2Saúde e Sociedade30h
3Conceitos e Ferramentas de Epidemiologia30h
4Processo de Trabalho e Planejamento30h
Eixo 2210h5Saúde da Criança I30h
6Saúde da Criança II30h
7Saúde do Adulto I30h
8Saúde do Adulto II30h
9Saúde do Adolescente e Jovem30h
10Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa30h
11Saúde da Mulher30h
Eixo 360h12Saúde Mental30h
13Alimentação e Nutrição30h
14Doenças Transmissíveis30h
15Metodologia da Pesquisa¹30h

¹ Módulo oferecido transversalmente ao longo do curso.
CoordenaçõesProfissional
Geral da UNASUSAna Emília Figueiredo de Oliveira
Coordenação AdministrativaEurides Castro
Núcleo PedagógicoDeborah Baesse
Coordenação do CursoAna Emília Figueiredo de Oliveira
Núcleo de TecnologiaRômulo Martins
Supervisão de TutoriaVanessa Belo e Luana Castro
Supervisão de MonitoramentoJefferson Almeida


A versão em PDF pode ser encontrada em:

Agora, uma prévia do curso:

Apresentação


Olá, caro (a) aluno (a)!
Iniciaremos agora o curso de capacitação em Atenção Integral à Saúde Materna. O curso é composto por dois módulos que discutem questões essenciais para a assistência à saúde materna. A fim de facilitar a compreensão do conteúdo, cada um dos dois módulos está dividido em três unidades.
Para iniciar, vamos estudar as principais ações voltadas para o planejamento familiar e como a equipe de Atenção Básica poderá intervir nessas ações.
Bons estudos!


Planejamento familiar

Consiste em um conjunto de ações que auxiliam as pessoas que pretendem ter filhos e também aquelas que preferem adiar o aumento da família. Segundo Coelho; Porto (2009), um serviço de planejamento familiar deve estar fundamentado em:
  • Práticas educativas;
  • Garantia de acesso aos usuários;
  • Equipe profissional multidisciplinar envolvida;
  • Livre escolha do método contraceptivo;
  • Disponibilidade contínua dos métodos contraceptivos;
  • Consultas e acompanhamento médico para os usuários;
  • Assistência nos casos de infertilidade conjugal.
Você sabia? 
O planejamento familiar é garantido pela Constituição Federal e também pela Lei n° 9.263, de 1996. O número de filhos, o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que toda mulher, homem e/ou casal devem ter o direito de escolher de forma livre e por meio da informação, sem discriminação, coerção ou violência (BRASIL, 2002).

Planejamento familiar

No Brasil, a Política Nacional de Planejamento Familiar foi criada em 2007 e envolve oferta de oito métodos contraceptivos gratuitos e também a venda de anticoncepcionais a preços reduzidos na rede “Farmácia Popular”.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), financiada pelo Ministério da Saúde, a política de distribuição de meios anticonceptivos, gerou importante redução no número de gravidezes indesejadas. Esse fator pode ter contribuído com a queda nos índices de abortos inseguros e, por conseguinte, na mortalidade materna (BRASIL, 2009).
A partir dessas premissas iniciais fica explícita a importância do trabalho da equipe de ESF aliado às ações de planejamento familiar. As ações da equipe devem seguir na direção de dois blocos fundamentais apontados pela Política Nacional de Planejamento Familiar e pelas recomendações técnicas do Ministério da Saúde:

  • ações dirigidas para assistência à anticoncepção
  • ações dirigidas para assistência à infertilidade conjugal

As ações da equipe da ESF


No que diz respeito à assistência à anticoncepção, o Ministério da Saúde assegura que as ações dos profissionais devem ser integradas e abranger aspectos integrais da assistência à mulher, desenvolvendo fundamentalmente:
Devem oferecer conhecimentos indispensáveis para a escolha e posterior utilização do método anticoncepcional mais apropriado, assim como fomentar questionamentos e reflexões sobre os temas relacionados com a prática da anticoncepção.
Identificação e acolhimento da demanda do sujeito ou casal em relação a imprecisões, ansiedades, receios e aflições, relacionadas às questões de planejamento familiar, além de avaliação de risco individual ou do casal, para a infecção pelo HIV e outras DSTs.
Anamnese; exame físico geral e ginecológico, com especial atenção para a orientação do autoexame das mamas e levantamento de data da última colpocitologia oncótica para analisar a necessidade de realizar coleta ou encaminhamento para tal, além de análise da opção e prescrição do método anticoncepcional (BRASIL, 2002).
Vamos praticar?
Construa um quadro contendo as atividades realizadas pela equipe de ESF para cada um dos blocos de atividades direcionadas às ações de planejamento familiar, especificando a atribuição de cada membro da equipe dentro de suas possibilidades de atuação profissional.


As ações da equipe da ESF

Em relação à assistência à infertilidade conjugal o apoio e orientação para casais com dificuldade para engravidar após um ou dois anos de vida sexual sem proteção contraceptiva também é uma atividade do programa de planejamento familiar.
Na rede pública ainda são poucos os serviços especializados para tratamentos de casais inférteis e os custos são altos.

Mesmo quando o SUS oferece tratamento, são poucas as opções de medicações, o que inviabiliza atender toda a demanda. Todavia, o médico da equipe poderá proceder à propedêutica inicial e tratar casos menos complexos e orientar sobre os centros especializados.

As ações da equipe da ESF


A assistência médica no planejamento familiar na Atenção Básica pressupõe a oferta de todas as alternativas de métodos anticoncepcionais, bem como o conhecimento de suas indicações, contraindicações e implicações de prescrição e uso, garantindo à mulher, ao homem ou ao casal os elementos necessários para a opção livre e consciente do método que possa ser mais conveniente.
  • Médicos
  •  
  • Enfermeiros
  • Aos enfermeiros cabem conhecer, descrever e recomendar o uso dos métodos anticoncepcionais: comportamentais, de barreira, hormonais, de emergência, dispositivo intrauterino, contracepção cirúrgica, além de conceituar infertilidade conjugal, descrevendo suas principais causas e fatores de risco.
  • Os médicos devem identificar se há infertilidade conjugal. Quando houver, devem descrever suas principais causas e fatores de risco, apontando abordagem diagnóstica inicial do casal.

Reflita sobre os seguintes questionamentos.
A comunidade conhece as atividades de planejamento familiar desenvolvidas pela equipe de ESF?
Como têm sido desenvolvidas as atividades educativas relativas ao planejamento familiar?
Como se dá a participação da equipe multiprofissional nas atividades relativas ao planejamento familiar?
Como os usuários participam da escolha dos métodos contraceptivos?
Como é realizada a assistência nos casos de infertilidade conjugal?Existe disponibilidade contínua dos métodos contraceptivos para os usuários de seu território e /ou município?

As ações da equipe da ESF

Ao final de sua coleta de dados, sistematize planejamento e plano de ações na direção da construção de protocolos e linhas de cuidados que deverão ser implementadas em sua unidade.

Métodos contraceptivos


O Sistema Único de Saúde (SUS) reforçou a assistência ao planejamento familiar em 2007, com a Política de Planejamento Familiar, aumentando o acesso a vasectomias e laqueaduras, além de ampliar a distribuição de preservativos e facilitar a venda de anticoncepcionais orais e injetáveis por meio da Farmácia Popular. Atualmente, conforme já informado, as mulheres em idade fértil podem contar com oito métodos contraceptivos disponibilizados pelo SUS.

Métodos contraceptivos

Você sabia?
A decisão do método anticoncepcional a ser utilizado, deve levar em conta: eficácia do método, efeitos secundários, aceitabilidade, disponibilidade, facilidade de uso, reversibilidade, proteção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e infecção pelo HIV, condições econômicas, características da personalidade da mulher e/ou do homem, fase da vida, padrão de comportamento sexual, aspirações reprodutivas, medo, dúvidas e vergonha, estado de saúde e critérios clínicos.
 

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